sábado, 13 de setembro de 2008

O Petek é nosso!! Parabéns Petek, estamos orgulhosos!

Gaúcho integra a equipe que simulará o Big Bang

Estudante de pós-graduação da UFRGS irá ajudar a gerenciar a rede que armazenará os dados sobre a experiência

Marcelo Gonzatto | marcelo.gonzatto@zerohora.com.br

Quando for ligado o equipamento chamado Grande Colisor de Hádrons (LHC, em inglês) hoje, na Europa, com a intenção de desvendar a origem e os segredos do Universo, um pesquisador gaúcho diretamente envolvido no trabalho estará especialmente ansioso.

Odoutorando em computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Marko Petek é um dos responsáveis por gerenciar a rede internacional com mais de 20 mil computadores que vai armazenar e processar a fabulosa quantidade de dados científicos a ser gerada após as primeiras colisões de prótons no interior do túnel de 27 quilômetros de extensão.

Aos 47 anos, o porto-alegrense especialista em computação em grade (conexões entre um grande número de computadores para atuar em conjunto) deverá viajar para a França dentro de algumas semanas, onde ficará pelo menos um ano trabalhando na Organização Européia para Pesquisa Nuclear (Cern) como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Lá, auxiliará cientistas do mundo inteiro a recuperar e processar as informações colhidas durante o experimento. Os responsáveis pelo projeto acreditam que serão necessários alguns meses para calibrar o acelerador de partículas e fazer com que os feixes de prótons se choquem a uma temperatura de -271°C, simulando o Big Bang que deu origem ao universo.

“Nunca me passou pela cabeça estar lá”

Petek concedeu nesta terça-feira, por telefone, uma entrevista a Zero Hora. Confira os principais trechos:

Zero Hora — Como ocorreu o seu envolvimento neste projeto?

Marko Petek — Começou há cerca de quatro anos. Houve um congresso de Física no Rio de Janeiro onde fui convidado para fazer a transmissão via videoconferência. Lá, pesquisadores que eu já conhecia me sugeriram essa área de computação em grade como muito promissora. Como entrei em contato com cientistas do Cern envolvidos no projeto, isso facilitou o meu caminho.

ZH — Como isso será utilizado na prática?

Petek — O LHC vai gerar uma quantidade assombrosa de dados. É mais de um petabyte por ano (o equivalente a uma pilha de CDs de 20 quilômetros de altura). Por isso, usaremos uma grade, gravando os dados nos computadores que tiverem espaço. O meu trabalho é movimentar esses dados, onde armazenar e como encontrá-los depois. Imagina, a gente já não achar nos diretórios da gente onde botou algo... (risos)

ZH — Quantas pessoas estão fazendo esse trabalho?

Petek — Tem muita gente, mas também tem muito o que fazer. Cada um atua em uma área diferente.

ZH — E, como pesquisador, qual a sensação de participar de um projeto grandioso como esse?

Petek — Para quem gosta de pesquisa científica, é estar na hora certa no lugar certo... (risos). Ouvi falar no Cern há 30, 35 anos, nunca me passou pela cabeça estar lá.

ZH — A ansiedade é grande?

Petek — Claro, dá uma ansiedade, mas todo mundo que trabalha lá, ninguém é trouxa. Todo mundo é geniozinho. Como tudo em computação, provavelmente não vai funcionar no primeiro dia (risos), mas depois serão feitos ajustes.

ZH — E quanto ao temor de que a experiência poderia resultar no fim do mundo?

Petek — (risos) Que eu me lembre, este é o terceiro experimento no mesmo túnel, que tem uns 40 anos. E, cada vez que uma das outras máquinas foi inaugurada, houve a mesma coisa. O que as pessoas precisam entender é que se trata de um fenômeno da natureza, com a diferença de que será reproduzido em laboratório. Para um buraco negro engolir alguma coisa, teria de ser muito grande. Não vai acontecer nenhuma catástrofe.


Fonte:
http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a2172574.xml

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